Logo no início deste ano, Miriam, professora de Ciências e Projetos em Informática Educacional apareceu com uma novidade. Havia descoberto em suas pesquisas na Internet uma atividade na Internet com um tema muito significativo para nosso projeto Cidadania.

A Cúpula das Crianças 98 Jr Summit consiste num debate promovido pelo MIT — Massachusets Institute od Technology,  para participantes de 134 países, que ocorre sempre online e com a participação através da Internet.

Na proposta do Fórum Ir Summit os alunos deveriam fazer um levantamento dos problemas que as crianças da comunidade sofriam e imaginar como o computador, a Internet e a tecnoloqia poderiam ajudar na solução dos mesmos. Os grupos se organizaram, passaram a discutir os problemas, pensaram as soluções e elaboraram os textos que foram enviados no final de abril.

No início do mês de agosto, recebemos a informação de que os trabalhos das 4ªs séries C e F haviam sido selecionados e que os alunos passariam a discutir suas idéias com outras crianças através da Internet.

A primeira etapa de “conversas” aconteceu entre crianças de mesma língua (nos chamados Home) e nossos alunos tiveram a oportunidade de saber sobre a vida de crianças de outros lugares do Brasil e de Portugal. Nessa etapa. nas discussões entre as crianças. ficou mais forte a questão do trabalho infantil.

Por esse motivo quando foi  pedido pela organização do Fórum Online que os grupos escolhessem temas de discussão, nossos alunos optaram pelo Topic Areas: “O problema do Trabalho Infantil” (4ª série C) e “Como manter as crianças na escola” (4ª série F).

Esses temas foram trabalhados pelas professoras de classe para que a criança tivesse subsídios para comentar e responder as mensagens recebidas durante as aulas semanais no Laboratório de Informática.

Nossos alunos vivenciaram também outras experiências como participantes dessa Cúpula da Crianças 98, Uma delas foi a entrevista dada ao Correio Popular e publicada em 28 de outubro de 1998.

Outro momento importante foi o da entrevista online dada ao jornal “O Estado de São Paulo” usando o programa ICQ.

Atualmente, as crianças estão participando de trocas de e-mails em inglês com criancas de diferentes culturas.

 

Participação

A participação de nossos alunos nesse projeto envolveu algumas possibilidades de trabalho. A primeira estava relacionada diretamente à prática pedagógica e ao dia a dia com nossos alunos, pois como todo o projeto eles deveriam construir uma rotina de trabalho. Rotina essa que envolvia o atendimento a uma série de códigos de conduta, horários definidos para a comunicação, o uso adequado da tecnologia: assim como o uso de uma linguagem formal para comunicar-se com pessoas que até então não participavam de seu cotidiano. Outro aspecto fundamental era a possibilidade de trabalhar com o Projeto Educação para  a Cidadania. A necessidade da formação do cidadão relaciona-se diretamente com a construção de valores e a articulação de projetos individuais para transformá-los em coletivos. Partimos da premissa de que elaborar projetos constitui aspecto essencial da vida humana porque só o homem é capaz de projetar e também de viver a sua própria vida como um projeto. Além disso, os projetos são instrumentos de realização da liberdade, espaços de iniciativa e expressão da criatividade e do espírito inventivo. No contexto escolar os objetivos da construção de um projeto são meios que utilizamos para concretizar nossos projetos de vida.

Atualmente a Educação e suas funções estão sempre associadas à idéia de formação de cidadão e construção da cidadania. Por isso, nos parece relevante o entendimento do significado da expressão educar para a cidadania. Cidadão deriva de civis, palavra latina que designava os habitantes das cidades que tinham direitos e que participavam das atividades políticas. Similarmente, a palavra  político deriva da palavra grega polis que também queria dizer cidade. Os políticos eram os que participavam da vida da polis.

O nosso papel como educadores não pode restringir-se ao de atender às individuais, mas sim orientar os nossos alunos a transcender seus limites pessoais, impregnando suas ações, seus sonhos de um significado político-social mais amplo. Outra função para a nossa participação no Projeto Jr Summit está associada à oportunidade de se trabalhar a lnterculturalidade e as questões que a envolvem. Nossa sociedade tem como uma de suas características a pluralidade de realidades sociais com seus respectivos modelos culturais, ou seja, maneiras de viver e entender o mundo. Para sustentar uma educação intercultural permeada pela igualdade, justiça e o direito à diferença é necessário que se vise a construção de valores e respeito aos direitos dos indivíduos e à diversidade cultural. Compreendemos que o principio é o de igualdade de oportunidades, oferecer a todos os indivíduos a oportunidade para que desenvolvam as suas possibilidades de aprendizagem sem negar sentido á diversidade. Acreditamos que a educação válida para todas as crianças deve ser uma educação intercultural, educando o cidadão no conhecimento, na compreensão das diversas culturas, configurando assim uma realidade cultural dinâmica em constante transformação, na qual a diversidade é percebida como um elemento enriquecedor para todos.

Antes de encerrar a nossa participação no projeto, todos os participantes do receberam um convite do professor do M.I.T, Bill Wright para um trabalho envolvendo a criação de um jornal online, com noticias relacionadas aos problemas discutidos. Nossos alunos mais uma vez aceitaram com entusiasmo a proposta e estão discutindo como essa nova fase do projeto será concretizada. Além disso. têm incentivado e ajudado os representantes eleitos para representá-los em Massachusets, evidenciando mais a solidariedade. que permeou todos os momentos vivenciados.

 

Publicado em Re Vista!, nº1, novembro de 1998